Colocando o Tico e o Teco para trabalhar

Leitores regulares deste blog sabem que sou contra essa mentalidade 100% Internet. Não que eu discorde de qualquer facilidade ou tecnologia trazida por ela (longe de mim aliás - minha vida seria infernal sem Internet) mas me preocupam as mudanças de mentalidade que a Internet trás como já comentei aqui e anteriormente aqui também.

Este fim-de-semana lembrei do outro problema intrínsico à internet e ao modo como a usamos. Eu tinha uma mensagem de erro em um código que estava experimentando. Estudei um pouco e desisti resolvendo apelar para o Santo-Google. Copiei e colei a mensagem de erro e recebi uma listagem bem grande de referências à respeito. Bom sinal: afinal de contas era um erro que muitas outras pessoas encaravam, questionavam e tentavam resolvê-lo.

Conforme fui abrindo cada link notei o que eu mais temia: aquela mensagem de erro era tão genérica e aplicava-se à tantos cenários diferentes que pouquíssimas pessoas conseguiam encontrar respostas válidas para o problema. Dezenas de links que abri eram de pessoas reclamando na linha do “tenho procurado isso no Google há dias e não acho nenhuma solução!”

Pensamos na Internet como esse repositório gigantesco de informações corretas, de soluções prontas… é a pílula mágica que resolve todos os nossos problemas! Essa mentalidade é ruim porque nem sempre é assim. Muitas vezes as informações e as soluções estão muito mais próximas do que pensamos.

Voltei ao erro e abordei-o como deveria tê-lo feito desde o começo: como algo tão trivial quanto o sol que nasce e põe-se todos os dias. Coloquei o tico e o teco para funcionarem de verdade e, em 4 minutos, tinha uma solução universal o suficiente. Passados 9 minutos, eu estava em contato com o criador do software sugerindo mudanças para evitar o problema para outros.

Afinal de contas, em algum lugar no subconsciente prefiro o verbo “construir” ao invés de “receber”. É uma recomendação pessoal minha para todos os ticos e tecos dormentes por aí.

Tiago Luchini · 20 Apr 2009