Motivos para entrar em forma
“Tenho que comprar um monitor cardíaco. Estou correndo agora. A meta é entrar nos 30 em forma.”
“Sério? Quanto você está pesando?
“Em Janeiro estava com 90 Kg, agora estou com 83 Kg. A conta era simples, em média estava engordando 2 Kg por ano, iria chegar nos 30 com 90 Kg e nos 40 com 110 Kg. E você esta treinando algo?”
“Estou treinando comida com obstáculos… coloco toda a comida do outro lado da mesa e tenho que me esticar por cima dos pratos pra alcançar. Exercita que é uma maravilha!”
“Quanto você está pesando?”
“Exatamente neste momento, contando este salaminho que estou comendo, 94.4 Kg”
“E a conta simples: chega nos 40 com quanto?”
“Nem calculei… não tenho motivação para perder nada. Posso me matar para perder peso mas, para quê? Viver uns 10, 20 anos à mais? No máximo! Não vejo muito vantagem nisso.”
“Você pode ficar bonityo e sexy também!”
“Com o intuito de…? Me dê 2 razões para você ficar bonito e sexy?”
“Primeiro para sua esposa e segundo para você mesmo se sentir bem nas roupas.”
“Primeiro que, magro ou gordo, não estou ficando nada jovem com o passar do tempo e segundo, com minha aguçada noção de moda com roupas rasgadas e compradas no sebo, não estou em condições de ‘me sentir bem nas roupas’. Simplesmente me sinto bem com qualquer coisa que cubra meu sexo… ou a maior parte dele.”
“Correr é algo bem legal, cada dia que passa você vai melhorando e isto estimula. O grande barato não é tanto ficar bonito e sexy, é que correr meio que vicia; ajuda na auto-estima, melhora a depressao, etc.”
“Minha depressão já anda muito bem obrigado… vai que começo a correr ela melhora! Deus me livre! Se correr fosse algo natural, a gente sentiria vontade de fazer. Eu não luto contra a natureza… por exemplo: você sente vontade de comer pedra? Então… é a mesma lógica!”
“Em Fevereiro quando iniciei, corria 5 min na esteira. Agora corro fácil 5km (30min) ou mais!”
“Pode perceber que é sempre uma questão numérica: ‘perdi X Kgs, vou viver mais Y anos, faço agora T% mais Kms do que eu faziam em 19XX’. Fora a questão numérica, o que mais você ganha com isso?”
“É verdade…”
“Não vai muito além disso. Acho que é muito pouco para mim. Número por número, posso bater o record de partidas de solitarie no computador.”
“Mas tem a questão de você se sentir melhor… com mais disposição.”
“Que são coisas tão subjetivas quanto ‘meu peido cheira mais que o seu’. Esporte já é algo que eu até faria se achasse algo legal, divertido, desafiador e que ainda atingisse meus requerimentos de capacidade pessoal e interação social, ou seja, não só busco atingir algo bem específico como altamente improvável uma vez que não estou nem procurando.”
“Jogue squash. É muito motivador bater uma bolinha na parede.”
“Squash precisa de hardware e local específico, certo? mantém algum tipo de interação social? Se as respostas forem ‘não e sim’ respectivamente já passou pelo primeiro teste.”
“Você pode batar a bolinha com força no adversário e depois ter que treinar a sua habilidade social para pedir mil desculpas enquanto ele está no chão chorando de dor. Também precisa sim de uma quadra específica, por isto só joguei esta semana a noite num hotel, agora só devo jogar ano que vem.”
“Não me parece muita regularidade.”
“Extamente por isto que eu corro.”
“Eu até posso me motivar um pouco se penso que, cuidando da minha saúde, vou ter uma morte rápida e fulminante ao invés de uma morte lenta e sofrida no caso de eu não me cuidar. Mas aí também existem os acidentes de avião, atropelamentos e afins que também garantem a tranquilidade de uma morte rápida e fulminante. Ou seja… ter uma boa saúde é, no máximo, um semi-benefício.”
“Com uma saúde melhor sobra mais tempo para jogos de tabuleiro. Você poderá jogar com os seus netos!”
“Claro que aí assumimos que eu tenha netos, que eles se interessem por jogos, que eles morem num raio de até 200Km de mim e que eu não tenha Alzheimer (que nada tem a ver com a minha gordura corporal).” É simplesmente assumir muita coisa para passar a vida toda sofrendo se exercitando. E mais: se você desconta as milhares de horas que perdeu correndo enquanto poderia estar jogando na vida adulta, você percebe que jogou tudo fora.”
“É…”
“Eu até tenho a remota nocão que estou errado mas preciso de pontos muito bem definidos e firmes para me motivar. Tudo é possível de se manter desde que você tenha ótimos motivos para fazê-lo. Afinal de contas, mantemos nosso estômago cheio porque, se não o fizermos, morremos. É um motivo no mínimo… razoável.”
“Eu tento chegar no emprego às 7h e sair às 16h e ir para a academia, com isto evito o trânsito horrível.”
“E isso em nada tem a ver com seu exercício físico certo? Você poderia muito bem fazer isso de forma independente de ir à academia? Poderia marcar jantares exóticos todos os dias às 16 por exemplo.”
“Correr libera endorfina que dá um certo barato. Mas tem que passar de 30min para começar a acontecer isto.”
“Meu corpo é defeituoso então… nunca senti nenhum barato. O único barato que já senti foi uma ânsia de vômito quando me exercitei por mais do que 10 min. Depois disso, parei.”
“O melhor barato é quando acaba!”
“Que é a mesma coisa do que dizer que é saudável que pisem no seu pé porque quando saem de cima dá ‘mó barato’.”
“E o seu último regime? Não estava funcionando?”
“Estava muito sofrível. Eu praticamente parei de comer. Se você comer uma apenas ervilha todos os dias, emagrece muito mais rápido do que qualquer regime. Só é extremamente desagradável. Tal quanto fazer exercícios.”
“Se você tiver uma atividade física pode comer mais!”
“Aí sofre duas vezes: comendo pouco e se exercitando?”
“É…”
“Você quer que eu faça isso enquanto alfinete meu corpo também? Posso amarrar um carro nos meus testículos e puxá-lo como os mestres de kung-fu fazem… se é para viver em sofrimento, que seja com algo de impacto!”
“Agora estamos saindo para comer pizza.”
“Claro! As idiossincrasias. Espero que continue motivado… muito embora não haja razões racionais para tal.”
