Estatísticas para todos os gostos

Você provavelmente já deve ter lido que “existem mentiras, grandes mentiras e estatísticas”. Pessoalmente eu discordo em partes. Gosto de estatísticas e acredito que elas acabam contando alguma mentira porque pessoas inescrupulosas mexem nos números conforme o seu próprio entender.

Na maioria das vezes as manipulações são pequenas e sutis e requerem uma certa análise cautelosa para serem encontradas. Noutras, entretanto, a manipulação é tão escancarada que me questiono se não imaginam os leitores como um bando de macacos acéfalos.

Fato é que segui um link para uma notícia que explicaria que a Finlândia tem o povo com maior incidência de sexo casual do mundo. Qual não foi minha surpresa quando li o título da notícia de um jornal Britânico: “Britânicos no topo na liga do sexo casual conforme pesquisa revela que somos os mais promíscuos do mundo”. Segue-se então uma lista com 15 países, Inglaterra em primeiro e, pasmem, nenhuma menção à Finlândia.

Mistério…

Parei para ler o artigo e desvendá-lo então. Foi quando notei, depois de 2 enormes parágrafos que eles haviam limitado a listagem publicada e a conclusão global do artigo à seguinte restrição: “nações ocidentais industrializadas com mais de 10 milhões de habitantes” ou, em outras palavras, aplicaram um filtro qualquer ao resultado da pesquisa para aumentar o impacto da notícia e afirmar “somos os mais promíscuos do mundo”. É a mesma situação de quando disse à minha cunhada: “de todas as minhas cunhadas cujo nome começa com “FL” e termina com “A”, você é a minha preferida”. Podiam também ter filtrado pelas nações que são governadas por uma monarquia para “justificar” um “paralelo” entre a monarquia e o sexo informal. Completo absurdo e manipulação descarada.

Na prática, dentre os 48 países pesquisados, a Finlândia foi a mais promíscua e a Inglaterra “amarga” “apenas” um 11º lugar. O que também não justificaria dizer que a Finlândia é a mais promíscua de TODO o mundo e sim apenas dentre os 48 países pesquisados e, mesmo assim, se colocar os desafios culturais e lingüísticos dos povos no meio, ainda arriscaria dizer que alguém pode ter entendido a pesquisa errado.

Manipular os dados assim, na cara dura, é tãããoo feio. Triste das pessoas que lêem jornais sem um olhar crítico.

A notícia está aqui para quem quiser ler. Para quem quiser mais estatísticas legais (e como fazê-las corretamente inclusive), recomendo o blog do Dr. Briggs.

Tiago Luchini · 12 Dec 2008